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O lado da Copa que poucos conhecem - 1950

 

QUARTA COPA DO MUNDO DE 1950

Em 1938, Alemanha, Argentina e Brasil se propunham a sediar a Copa de 1942. Mas, a Segunda Grande Guerra, só nós continuamos interessados a reorganizar a grande festa do futebol.

Em 4 de junho de 1938 – dia da abertura da Copa da França – a FIFA se reuniu na sede do Automóvel Clube de Paris para avaliar as candidaturas para o mundial seguinte, marcado para 1942. A proposta mais forte era a da Alemanha, representada por Felix Linnemann – dirigentes da própria FIFA desde 1921. Os alemães vinham manifestando interesse em organizar a grande festa do futebol desde os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, que demonstraram a competência germânica para organizar eventos. Concorrendo com a Alemanha estavam Brasil e Argentina, que apresentaram o mesmo argumento: as duas Copas anteriores haviam sido disputadas na Europa e, agora, era a vez da América do sul. Segundo o representante da CBD, o jornalista Célio de Barros, o Brasil merecia a indicação por ter sido o único país sul-americano a mandar uma seleção para a Europa tanto em 1934 quanto em 1938. A Argentina, por seu lado, alegava ter prioridade por já ter sido preterida duas vezes, na escolha das sedes de 1930 e 1938.

Jules Rimet anunciou que a FIFA avaliaria as três propostas – com o favoritismo pendendo para a Alemanha – mas a decisão final só tomaria em 1940, no congresso da entidade marcado para Luxemburgo. Em fevereiro de 1939, numa diplomática viagem à América do Sul para minimizar as criticas de excesso de europeísmo, o presidente da FIFA visitou Buenos Ayres. E insinuou que, caso a Alemanha desistisse, a Argentina sediaria a Copa de 1942. Uma semana depois, ele visitou o Rio de Janeiro e também foi muito simpático, embora menos enfático quanto às chances brasileiras. Mas tudo virou pó em setembro de 1939: ao invadir a Polônia, os alemães deflagraram a Segunda Guerra Mundial. O congresso do ano seguinte foi cancelado e as Copas previstas para 1942 e 1946 simplesmente não aconteceram, por razões óbvias. Terminada a Guerra, a FIFA voltou a se reunir, em 25 de julho de 1946, novamente em Luxemburgo, para descobrir que só existia ainda um país disposto a sediar o próximo Campeonato Mundial: o Brasil.

Assim, 34 países filiados à FIFA confirmaram o óbvio: A Copa seria mesmo no Brasil e em 1950 (havia propostas para realizá-la em 1949). Quatro outras decisões foram tomadas na mesma reunião: l – rebatizar a Copa de Jules Rimet, como homenagem aos 25 anos do francês à frente da FIFA. 2 – designar a Suíça como sede do Mundial de 1954. 3 – aceitar o retorno dos países britânicos, que havia se desligado da FIFA em 1928. 4 – expulsar Alemanha e Japão, mas não a Itália, que formara com os outros dois países o tríplice Eixo. A iniciativa foi um reconhecimento aos esforços do presidente da Federação Italiana, Ottorino Barassi, para preservar a taça conquistada em 1938, em Paris. Barassi secretamente levara para a Suíça, onde ela permaneceu depositada no cofre da FIFA, em Zurique até o fim da Segunda Guerra em 1945.

Uma das primeiras resoluções do Comitê responsável pela Copa de 1950 foi de que a Copa seria a primeira disputada por jogadores com camisas numeradas, de 1 até 11. Inédita no maior torneio de seleções, a numeração não era novidade no futebol. O Arsenal, equipe da Inglaterra, usou-a pela primeira vez em 1928. E aqui mesmo no Brasil elas já eram praxe desde a metade da década de 1940.

Em 1947, no congresso da FIFA em Paris, o Brasil apresentou duas propostas de mudança na formula de disputa. A primeira: as oitavas-de-final teriam grupos e não eliminatórias simples. Isso evitaria que um país europeu viesse a passar pelo dissabor que a nossa seleção passara durante a disputa na Itália, em 1934: fazer uma longa viagem através do Atlântico para jogar uma única partida. A FIFA aprovou. Já a segunda sugestão era bem mais radical: eliminar também o mata-mata das semifinais. A idéia era que os quatro países classificados na primeira fase disputassem um minitorneio por pontos corridos, todos jogando contra todos. Alguns delegados não gostaram. O Brasil insistiu. E por uma apertada margem, conseguiram aprovar o pleito.

Como a FIFA havia decidido fazer um sorteio prévio para definir os grupos da Copa do Mundo, houve enormes diferenças entre o que estava planejado antes das eliminatórias e as chaves que realmente se formaram por causas das desistências. Em vez de 16 países, apenas 13 estavam confirmados para lutar em gramados brasileiros. Os grupos I e II ficaram completos, com quatro países cada um. Mas o III acabou capenga com três países e o IV virou um absurdo, com apenas dois países. Depois surgiram muitas queixas de que o Brasil teve de disputar seis jogos ao longo do torneio e os uruguaios apenas quatro partidas.

Ainda em 1946, o Brasil encantou a FIFA com a proposta de construir, no Rio de Janeiro, o maior e melhor estádio do mundo. Mas a Câmara de Vereadores carioca, da qual dependia a aprovação da verba, resolveu embaçar. O vereador Carlos Lacerda, da UDN, orador inflamado, defendia a idéia de que o novo estádio deveria ser feito no bairro de Jacarepaguá. A bancada comunista, majoritária, opinava que o estádio deveria ser construído na região central da cidade, numa área que pertencia ao Jockey Club, no bairro do Maracanã. Os acalorados debates durante todo o ano de 1947 e os comunistas venceram em 20 de janeiro de 1948. A pedra fundamental do estádio foi colocada no antigo terreno do Jockey Club. Mas a construção, a gora emperrada pela burocracia, só começou cinco meses depois, em 2 de agosto de 1948. Oficialmente batizado de Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o Maracanã foi construído na gestão do prefeito do Distrito Federal, Ângelo Mendes de Moraes. O projeto teve quatro arquitetos: Pedro Paulo Bernardes Bastos, Rapfael Galvão. Antonio Augusto Dias Carneiro e Orlando da Silva Azevedo. E a obra ficou a cargo de seis empreiteiras.

Cerca de 4.500 operários deram duro durante 22 meses consumindo 55.000 metros cúbicos de concreto, 350.000 sacos de cimento, 50.000 metros quadrados de pedra. 40.000 metros de areia e 9.000 toneladas de ferro. O Maracanã tem 32 metros de altura e 800 metros de perímetro. Construído em forma elíptica, seu eixo mais longo tem 319 metros e o mais curto 281 metros.

A inauguração extra-oficial ocorreu num sábado, 17 de junho de 1950, sete dias antes do inicio da Copa. Um jogo entre as seleções de novos do Rio e de São Paulo, sem cobrança de ingressos, serviu como teste final do gramado e das instalações, embora ainda existissem muitos vestígios de obras. Os paulistas venceram por 3x1, gols de Augusto 2 e Ponce de Leon. Mas provavelmente ninguém se lembra dessa partida se o primeiro gol não tivesse sido marcado, aos 19 minutos do primeiro tempo, por Didi, meia do Fluminense, então com 20 anos, e futuro bicampeão mundial em 1958 e 1962. Outro bicampeão que jogou foi Djalma Santos, da Portuguesa, que defendia o combinado paulista.

O Maracanã foi oficialmente inaugurado em 24 de junho de 1950, um sábado, na estreia do Brasil na Copa, contra o México. A festa teve todas as cerimônias de praxe, diante do Presidente da Republica, o marechal Eurico Dutra, e do presidente da FIFA, Jules Rimet: desfile da tropa militar de elite dos Dragões da Independência, exibição da Banda de Fuzileiros Navais, discursos de autoridades, revoada de milhares de pombos. E a vitória do Brasil sobre o México por 4x0. O primeiro gol oficial no Maracanã foi o vascaíno Ademir.

Jogo Final - 16 de julho de 1950
Uruguai 2 x Brasil 1
Gols de Friaça, Schiaffino e Gighia no segundo tempo.
Horário: 14 horas e 55 minutos.
Juiz:George Reader.
Publico estimado: 200.000 mil torcedores.
Uruguai: Maspoli. Matias Gonzalez e Tejera. Gambeta. Obdulio Varella e Rodrigues Andrade. Gighia. Julio Peres. Miguez. Schiaffino e Moran.
Brasil: Barbosa. Augusto e Juvenal. Bauer. Danilo e Bigode. Friaça. Zizinho. Ademir. Jair e Chico.

O Brasil teve 22 jogadores para disputar a Copa.
Moacir BARBOSA (Vasco).
Carlos José CASTILHO (Fluminense).
Augusto da Costa (Vasco).
Juvenal Amarijo (Flamengo).
NENA Olavo Rodrigues Barbosa (Internacional).
NILTON dos SANTOS (Botafogo).
José Carlos BAUER (São Paulo).
DANILO Alvim (Vasco).
BIGODE João Ferreira (Flamengo).
NORONHA Alfredo Eduardo Ribeiro Menna Barreto de Freitas (São Paulo).
ELY do Amparo (Vasco).
RUI Campos (São Paulo).
ALFREDO dos Santos (Vasco).
Albino Friaça Cardoso (Vasco).
ZIZINHO Thomaz Soares da Silva (Flamengo).
ADEMIR Marques de Menezes (Vasco).
JAIR da Rosa Pinto (Palmeiras).
CHICO Francisco Aramburu (Vasco).
ADFÃOZINHO Adão Nunes Dornelles.
MANECA Manoel Marinho Alves (Vasco).
BALTAZAR Oswaldo da Silva (Corinthians).
Francisco RODRIGUES (Palmeiras).

Comissão técnica -
Chefe da delegação: Mário Pólo.
Médicos: Newton Paes Barreto e Amílcar Giffoni.
Massagista: Johnson e Mario Américo.
Técnico: Flávio Costa.
Auxiliar técnico: Oto Glória e Vicente Feola.

Uma musica para a seleção.
Interpretada por Silvio Caldas, o Seresteiro do Brasil, a musica não faz parte de nenhuma compilação de obras-primas produzidas pelo genial Lamartine Babo, autor dos hinos de América, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Bonsucesso, São Cristóvão, Olaria, Madureira e Canto do Rio. Mas o “hino do Scratch Brasileiro” é a primeira musica desse tipo feita para uma seleção nacional.

Viagens demais.
Depois do jogo, os dirigentes da Iugoslávia reclamaram da tabela. Considerada “benéfica demais para o Brasil”. Enquanto os brasileiros disputaram três jogos em oito dias, sendo dois no Rio e um em São Paulo, os Iugoslavos jogaram três partidas em sete dias em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio. Segundo eles, isso significou muito tempo perdido em hotéis e aeroportos e pouco tempo para treinar.

Uma zebra histórica.
Os 12 mil torcedores que foram ao estádio Independência, em Belo Horizonte levaram algum tempo para acreditar que a poderosa Inglaterra tinha sido derrotada pelo futebol rudimentar dos Estados Unidos. Foi a maior zebra da história das Copas. A bola do jogo – Estados Unidos 1 x Inglaterra 0 – está em exposição permanente na sede da Federação Americana de Soccer, lembrando a maior glória do futebol dos Estados Unidos.

 

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Última atualização: 24/09/13. Política de privacidade  |  Mapa do Site