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O lado da Copa que poucos conhecem - 1934

 

A SEGUNDA COPA EM 1934

O DITADOR Benito Mussolini viu na Copa uma oportunidade única de mostrar ao resto do mundo as qualidades do regime fascista e não poupou esforços para organizar o torneio.

Uma vitória no mundial despertaria um grande fervor patriótico e, por extensão, aumentaria ainda mais a confiança da população no governo. Por isso, o ditador não apenas apoiou a ideia de a Itália promover a Copa de 1934 como se apossou literalmente dela. Para começar exonerou o presidente da Federação Italiana, Leandro Arpinati, e colocou em seu lugar um militar, o general Giorgio Vaccaro, de 42 anos.

A imprensas, sob severa e constante vigilância da censura fascista, foi “aconselhada” a só divulgar noticias favoráveis sobre a Seleção. Criticas não seriam toleradas e poderiam resultar em “acidentes”, como depredação da redação. Em troca dessa proteção, Mussolini exigia dos jogadores e dirigentes uma coisa: vitória na Copa. Na visão do Duce, o titulo seria o triunfo de um regime, o fascista, e de um homem, ele mesmo.

Com 32 países inscritos e apenas 16 vagas para o mundial, a FIFA organizou uma inédita pré-qualificação. E até a Itália, dona da casa, teve que entrar em campo para se garantir na Copa. O Brasil estava no grupo 9 e enfrentaria o Peru. O primeiro jogo estava marcado para o dia 1º de abril de 1934 em Lima. Mas, um mês antes, o Peru comunicou a FIFA que estava desistindo de disputar as eliminatórias. E o Brasil se classificou sem entrar em campo. Depois das eliminatórias saíram os 16 classificados: Alemanha. Argentina. Áustria. Bélgica. Brasil. Egito. Espanha. Estados Unidos. França. Holanda. Hungria. Itália. Romênia. Suécia. Suíça e Tchecoslováquia.

Os brasileiros não pareciam preocupados com a viagem de 11 dias até a Europa, onde todos apostavam mesmo na Itália. Preocupado com a confusão entre a Confederação Brasil de Desportos e a Federação Brasileira de Futebol, Lourival Fontes, um dos homens fortes do governo de Getulio Vargas, deu uma entrevista elogiando os profissionais que haviam abandonado os clubes para integrar a seleção brasileira. Eles estavam representando a nação brasileira e, portanto, teriam de ser tratados como verdadeiros patriotas. Fontes mandou um recado para que a FBF e os clubes profissionais parassem de acusar a CBD e para que os jornais começassem a exaltar a seleção. E os problemas, pelos menos temporariamente, desapareceram.

Considerando a posição estratégica de Lourival Fontes, o CBD o convidou para ser o chefe da delegação que seguiria para Roma e ele aceitou. Mas sem abrir mão dos privilégios. Na época, Fontes tinha o pomposo cargo de diretor da secretaria geral do gabinete do prefeito do Distrito Federal e foi brindado com uma licença remunerada de 120 dias, para promover no exterior a propaganda turística do Brasil.

No dia 3 de maio, o navio Neptunia, que conduzia a delegação Argentina à caminha da Itália, fez uma escala no Rio de Janeiro. E os argentinos estranharam a decisão do Brasil de só viajar uma semana depois, tempo que parecia insuficiente para recuperar a forma após a longa travessia do Atlântico. Mas essa era, segundo a CBD, uma maneira de reduzir os custos. Além disso, o técnico Luiz Vinhaes dizia não haver motivos para preocupação, pois a seleção estrearia contra a Espanha com 75% de sua capacidade física.

Se o dinheiro estava falta por um lado, parecia estar sobrando por outro. No dia 9 de maio, uma quarta feira, a CBD ainda tentou arrebatar novos craques, fazendo publicar nos jornais as “ultimas propostas” para convencer Domingos da Guia, Mario, Ladislau, Jaguaré Tunga e Amado. A CBD estava tão otimista que colocou cinco deles na lista dos 22 enviados para a FIFA. Mas nenhum aceitou a oferta e a Seleção embarcou para a Itália com apenas 17 jogadores.

Ao meio dia do sábado 12 de maio – 15 dias antes da estreia – a delegação embarcou no navio Conte Biancamano, um transatlântico de grande porte com capacidade para 1.718 passageiros. A viagem durou 11 dias, com escala em Dacar e na África. O técnico Luiz Vinhaes se virou como pôde para evitar o relaxamento geral. O navio tinha uma piscina no convés e era nela que os jogadores exercitavam diariamente os músculos, nadando por duas horas depois de uma hora de ginástica corporal. No dia 23 de maio, o Conte Biancamano aportou em Genova, cidade onde Brasil e Espanha estreariam na Copa. Apenas 72 horas depois, no domingo 27, sob o sol forte do verão italiano e com os  jogadores longe do melhor de sua forma física, o Brasil jogou sua sorte contra a Espanha. Com um publico estimado em 21 mil torcedores o Brasil perdeu para a Espanha por 3x1 e ficou fora da Copa.

Jogo final – 10 de junho de 1934.
Itália 2 x Techecoslováquia 1.
Gols de Puc (T) e Orsi (I) no tempo regulamentar.
Schiavio (I) na prorrogação.
Publico estimado: 50.000 torcedores.
Horário; 17,30.
Arbitro:Ivan Eklind (Sueco)
Itália: Combi. Monzeglio e Allemandi. FerrarisIV. Monti e Bertolini. Guaita. Meazza. Schiavio. Ferrari e Orsi.
Techecoslovaquia: Planicka. Zenisek e Ctyroki. Kostalek. Cambal e Krcil. Junek. Svoboda. Sobotka. Nejedly e Puc.

O Brasil levou 17 jogadores.

Roberto Gomes Pedrosa (Botafogo).
GERMANO Boettcher Sobrinho (Flamengo).
SYLVIO HOFFMAN Mazzi (São Paulo da Floresta).
LUIZ dos Santos LUZ (Grêmio).
OCTACILIO Pinheiro Guerra. (Botafogo).
Alfredo Alves TINOCO (Vasco).
MARTIM Mércio de Oliveira (Botafogo).
Heitor CANALLI (Botafogo).
ARIEL Nogueira (Botafogo).
WALDIR Walter Vicente Guimarães (Botafogo).
LUIZINHO Luiz Mesquita de Oliveira (São Paulo da Floresta).
WALDEMAR DE BRITO (São Paulo da Floresta).
ARMANDINHO Armando dos Santos (São Paulo da Floresta).
LEONIDAS DA SILVA (Vasco).
PATESKO Rodolfo Barteczko (Nacional de Montevidéu).
Carlos Alberto Dobbert de CARVALHO LEITE (Botafogo).
ATILA de Carvalho (Botafogo).

Comissão Técnica -
Chefe da delegação: Lourival Fontes.
Técnicos:Luis Vinhaes e Carlito Rocha.
Secretario: Alexandre Brigole.
Jornalista: José Caribe da Rocha.
Tesoureiro: Francisco de Paula Job.

África em campo.
O primeiro pais africano a participar de uma Copa do Mundo foi o Egito. Os africanos só repetiram a façanha 36 anos depois, em 1970, quando o Marrocos foi ao México.

Alô Ouvintes.
Dos 16 países presentes à Copa de 1934, tiveram transmissão direta de seus jogos por rádio. E a França extrapolou: levou dois locutores para transmitir partidas simultâneas. O Brasil ainda recebia as noticias por telegrafa, nas redações dos jornais, que repassavam os resultados ao publico reunido na frente de seus prédios por meio de cartazes expostos nas janelas. Era uma espécie de transmissão por escrito.

 

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Última atualização: 24/09/13. Política de privacidade  |  Mapa do Site