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O lado da Copa que poucos conhecem - 1930

 

A PRIMEIRA COPA EM 1930

Desde dos primórdios, quando nem era considerado um esporte sério, o futebol já encantava multidões. Mas o caminho para a realização da primeira Copa do Mundo era cheio de problemas.

No dia 21 de maio de 1904 nasceu a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association). Representantes da França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suécia e Suíça, elegeram o jornalista francês Robert Guérin como seu primeiro presidente.

No dia 1º de março de 1921, o advogado francês Jules Rimet, de 47 anos, foi eleito presidente da FIFA, posição que ele já ocupava interinamente desde de 1918. Embora a FIFA contasse com apenas 20 países filiados, naquele inicio dos anos 20, um dos projetos mais ambiciosos de Jules Rimet era a realização de um torneio mundial de futebol, independente dos Jogos Olímpicos.

A ideia não era nova, mas o persistente Jules Rimet seria o primeiro a tentar, seriamente, e tirar do papel e levá-la a prática. Depois dos Jogos Olímpicos de 1920, em Antuérpia, a Inglaterra totalmente profissionalizada, se desinteressou pelo torneio olímpico. Isso deu chance a que outros países se destacassem nos gramados. Em Paris no ano de 1924, os europeus descobriram que também se jogava, e bem, no Novo Continente. O Uruguai e os Estados Unidos representaram as Américas e os uruguaios, com um futebol de extrema habilidade, se sagrou campeão olímpico. Em 1928 os uruguaios repetiram a dose e se sagram bi campeões.

No congresso da FIFA em Amsterdã, no dia 26 de maio de 1928, ficou decidido que a primeira Copa seria realizada de quatro em quatro anos. Três anos antes dessa decisão, em 1925, num encontro em Genebra (Suíça), o embaixador do Uruguai para os Países Baixos, Enrique Buero, já manifestara a Jules Rimet o interesse do seu pais em sediar a primeira Copa do Mundo. Até pela falta de concorrente, o Uruguaio saiu na frente. Mas, apesar do interesse manifestado, nada de prático estava sendo feito em Montevidéu naqueles anos. Somente em fevereiro, três meses antes da data marcada para a escolha do pais-sede, dois dirigentes do Nacional, José Usera e Roberto Espil, apresentaram a Federação Uruguaia um plano concreto, que incluía a construção de um estádio. Poucos levaram a sério. Muitos duvidavam da viabilidade do projeto.

Cinco países europeus também haviam se apresentado para sediar o mundial no ano seguinte: Itália, Hungria, Holanda, Espanha e Suécia. Os quatro últimos desistiram para apoiar a Itália, que tinha como seu grande incentivador, o ditador Mussolini. Mas que encantou mesmo foi à proposta financeira dos uruguaios. Além de construir um estádio, eles dispunham pagar todas as despesas de viagem e alimentação dos participantes. E por aclamação, os sul-americanos ganharam a concorrência. A Itália resolveu não participar, o que provocou um efeito dominó.

A FIFA contava com 46 filiados e enviou convites de participação para todos, imaginando, com certo otimismo, que metade responderiam “sim”. O Brasil, filiado desde de 1923, aceitou, assim como a maioria dos sul-americanos. Mas, no dia 30 de abril de 1930, data do encerramento das inscrições, nenhum dos 17 representantes da Europa havia aderido. A maioria alegava a crise econômica e a grande distância até o Uruguai. Os uruguaios sabiam que a ausência dessas seleções, consideradas, juntamente com a Inglaterra, as maiores forças do Velho Continente, empobreceria tecnicamente a Copa. Injuriado, o Uruguai ameaçou não só cancelar o mundial como também abandonar a FIFA.

Jules Rimet sentiu que seu sonho de uma festa universal de futebol estava indo Poe água a baixa e que era preciso reverter à situação. Presidente licenciado da Federação Francesa, ele praticamente, obrigou seu pais a participar. Campeã Olímpica em 1920, a Bélgica foi o segundo pais a confirmar sua ida a Montevidéu, graças ao empenho de Jules Rimet. Sem pressões nem pedidos especiais, a Iugoslávia decidiu aceitar o convite da FIFA. Apesar do desprezo de muitos países europeus, o Uruguai construiu até um belo estádio e organizou com muito esmero todos os detalhes da grande festa do futebol.

Jogo final – 30 de Julho de 1930.
Uruguai 4 x Argentina 2
Gols de Dorado (U). Peucelle (A) e Stabile (A) no primeiro tempo. Cea(U). Iriarte (U) e Castro (U) no segundo tempo.
Juiz: Jean Langenus (Bélgica).
Estádio: Centenário.
Publico estimado: 70 mil torcedores.
Horário: 14 horas.
Uruguai (Campeão); Ballesteros. Nasazzi e Mascheroni. Andrade. Fernandez e Gestido. Dorado. Scarone. Castro. Cea e Iriarte.
Argentina (Vice): Botasso. Della Torre e Patenoster. Juan Evaristo. Monti e Suarez. Peucelle. Varello. Stabile. Ferreira e Mario Evaristo.’

O Brasil levou 24 jogadores.
5 do Fluminense.
4 do Botafogo.
4 do Vasco.
3 do São Cristóvão.
2 do Flamengo.
2 do América.
1 do Americano de Campos.
1 do Goitacaz.
1 do Ypiranga de Niterói.
1 sem clube.

Osvaldo VELLOSO de Barros (Fluminense).
JOEL de Oliveira Monteiro (América).
FERNANDO Giudicelli (Fluminense).
Alfredo BRILHANTE da Costa (Vasco).
ITALIA Luiz Gervasoni (Vasco).
ZÈ LUIZ José Luiz de Oliveira (São Cristóvão).
OSCARINO Costa da Silva (Ypiranga).
IVAN MARIZ (Fluminense).
Agostinho FORTES Filho (Fluminense).
PAMPLONA Estanislau de Figueiredo (Botafogo).
FAUSTI DOS SANTOS Nascimento (Vasco).
BENEVENUTO Humberto de Araújo (Flamengo).
HERMOGENES Fonseca (América).
PREGUINHO João Coelho Neto (Fluminense).
NILO Murtinho Braga (Botafogo).
BENEDICTO Dantas Moraes Menezes (Botafogo).
Carlos Alberto Dobbert de CARVALHO LEITE (Botafogo).
RUSSINHO Moacyr de Siqueira Queiroz (Vasco).
THEÒFILO Bettancourt Pereira (São CRISTÓVÃO).
DOCA Alfredo de Almeida Rego (São Cristóvão).
MODERATO Wisintainer (Flamengo).
POLY Polycarpo Ribeiro de Oliveira (Americano).
MANOELZINHO Manoel de Aguiar (Goitacaz).
ARAKEM Abraham Patusca da Silveira (sem time).

Comissão Técnica:
Chefe da delegação – Afrânio Antonio da Costa.
Secretario - Horace Wener.
Representante junto a FIFA – Sylvio Netto Machado.
Cronista – Otavio Antonio da Silva e Sylvio Vasques.
Massagista – Ovídio Dionysio do Flamengo.
Médicos – Fábio de Oliveira e João Paulo Vinel de Moraes.
Arbitro – Gilberto de Almeida Rego.
Comissão Técnica – Pindaro de Carvalho Rodrigues e Egas de Mendonça.

Panelinha ou discriminação ?
Em 1966, Arakem Patusca declarou ao jornal Gazeta Esportiva de São, Paulo que a seleção chegou ao Uruguai dividida em panelinhas. Segundo ele, os atletas do Fluminense e Botafogo – clubes aristocráticas – na comparação de Vasco, Flamengo e outras – tiveram acomodações mais confortáveis , tanto no navio Conte Verde com no Grande Hotel da Cave Colón, em Montevidéu., gerando um clima ruim entre os jogadores.

O Brasil foi de carona rumo a Montevidéu.
No dia 20 de junho de 1930, uma sexta feira, o navio italiano Conte Verde zarpou de Gênova com a delegação da Romênia a bordo. No dia seguinte, fez escala em Villefranche-sur-Mer, na França, onde embarcaram os franceses e os dirigentes da FIFA, entre eles Jules Rimet. A parada seguinte foi em Barcelona, onde entraram os belgas, que tinham ido de trem até a Espanha. Depois, houve paradas técnicas em Lisboa, na Ilha da Madeira e nas Ilhas Canárias, antes de chegar ao Rio de Janeiro, onde os brasileiros subiram a bordo. Após dois dias de descanso na cidade, que incluíram uma visita das seleções estrangeiras às Laranjeiras, estádio do Fluminense e uma inesquecível noite nos cabarés cariocas, o Conde Verde zarpou no final da tarde de 2 de julho. Arakem Patusca, o paulista solitário subiu a bordo em Santos. Por problemas particulares, o técnico Pindaro de Carvalho e os jogadores Joel e Teófhilo só se juntaram ao grupo uma semana depois. Viajaram para Montevidéu no Almanzora, um transatlântico britânico com capacidade para 1.390 passageiros que fazia a rota de Southampton até o Rio da Prata.

De olha na taça.
Durante toda a viajem da França ao Uruguai, Jules Rimet não se separou de sua valise nem para ir ao banheiro. Dentro dela estava a preciosa taça de ouro, a Copa do Mundo. Logo após desembarcar em Montevidéu, ele exibiu pela primeira vez a Victoire aux ailes d’or. Vitória com asas de ouro. Com 30 centímetros de altura e pesando 4 quilos (1,8 quilos de ouro maciço), o troféu foi montado sobre um pedestal de lápis azuli. A taça custou 50.000 francos – o equivalente a 14.500 dólares, uma fortuna na época – dinheiro suficiente para comprar uma frota de automóveis Mercedes-Benz. Foi criada pelo escultor francês Abel Lafleur, funcionário do Museu de Belas Artes de Rodez. Por sorte, Rimet encomendou o trabalho com um ano de antecedência. Lafleur, pouco acostumado a trabalhar com ouro, consumiu mais de sete meses na confecção da peça.

A bola de gomos costurados a mão com o bico amarado.
A bola utilizada na Copa eram chamadas de tiento, nome pela qual também ficaram conhecidas no Brasil de tento. Eram de couro, de cor marrom escuro, com gomos retangulares costurados a mão e um bico para encher a câmara interna, de borracha. O bico era depois dobrado e colocado para dentro da bola, ficando entre o couro e a câmara. Sé então a abertura era amarrada, como se faz com um cadarço de sapato, com uma estreita tira de couro criando um calombo que não apenas influía na trajetória da pelota como também podiam causar ferimentos. Por isso, alguns jogadores usavam, gorros reforçados internamente com folhas de jornal.

 

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Última atualização: 24/09/13. Política de privacidade  |  Mapa do Site