Copas do Mundo
Página Inicial
Notícias
Artigos
História das Copas
Copa do Mundo de 1930
Copa do Mundo de 1934
Copa do Mundo de 1938
Copa do Mundo de 1950
Copa do Mundo de 1954
Copa do Mundo de 1958
Copa do Mundo de 1962
Copa do Mundo de 1966
Copa do Mundo de 1970
Copa do Mundo de 1974
Copa do Mundo de 1978
Copa do Mundo de 1982
Copa do Mundo de 1986
Copa do Mundo de 1990
Copa do Mundo de 1994
Copa do Mundo de 1998
Copa do Mundo de 2002
Copa do Mundo de 2006
Copa do Mundo de 2010
Copa do Mundo de 2014
Copa do Mundo de 2018
Copa do Mundo de 2022
Mascotes das Copas
Copa das Confederações
Livro de Visitas
Links
E-mail

 

O fracasso da Seleção brasileira em 1966

 

Em 1963, a seleção brasileira realizou uma temporada pela Europa e não teve bons resultados. O pior deles foi em Bruxelas, contra a Bélgica. Seus jogadores não eram tão brilhantes, mas muito bem preparados fisicamente para correr o dobro e preencher todos os espaços do campo. O conjunto e a condição física eram as armas dos belgas que golearam o Brasil por 5x1. Os brasileiros bem dotados tecnicamente como Djalma Santos, Zito, Mauro, Mengalvio. Dorval e Zagalo, pararam diante da força e da aplicação tática da seleção da Bélgica.

Quando a seleção brasileira começou seus treinamentos físicos, eles foram de tal forma negligentes que o responsável já não era mais Paulo Amaral ou qualquer outro com experiência em preparação física em algum time de futebol. O escolhido foi Rudolf Hermanny, um especialista em treinar praticantes de Judô e karatê. Muita coisa mudou na seleção brasileira, além do preparador físico. A própria cúpula, tão coesa em 1958 e 1962, desentendia-se por motivos inteiramente alheios ao futebol. João Havelange e Paulo Machado de Carvalho não se entendiam. A vaidade da cartolagem não permitiu que o “Marechal da “Vitória” continuasse no cargo. O certo, porém, é que, os paulistas não souberam se manter no poder. Por omissão, por excesso de confiança ou politicagem. Os erros começaram com a desastrosa temporada pela Europa em 1963. O treinador Aymoré Moreira, um grande estrategista mas um péssimo político, tentou promover uma renovação em massa na seleção, e não deu certo. Humilhantes derrotas somente serviram para queimar bons valores que vestiam a camisa amarela pela primeira vez.

Mesmo sem Paulo Machado de Carvalho na chefia da delegação, Vicente Feola aceitou retornar a seleção. Só que, sem uma boa retaguarda, Feola sofreu pressões de todo lado e acabou chamando um numero absurdo de jogadores para um período de três meses de treinamentos. Nada menos de 45 jogadores dos principais clubes do Brasil, mais Amarildo que jogava na Itália. Com tanta gente não foi possível montar uma equipe. Feola dividiu os jogadores em quatro equipes: Azul. Verde. Branco e Grená.

Durante três meses, a seleção perambulou por várias estações de águas diferentes em São Paulo, Rio e Minas, uma estúpida maneira de fazer política de boa vizinhança. Jogando apenas entre si, o atletas convivia com o fantasma no “corte”. Desta forma, a seleção era um grupo exausto e desunido. Um rascunho de um time de futebol. Muitos jogos foram realizados. Começaram em Caxambú, Minas Gerais e terminaram em Malmoe, na Suécia. Três meses de treinamento e Feola ainda não tinha uma equipe ideal para disputar uma Copa do Mundo. Sintomaticamente, todos os membros da comissão técnica andaram renunciando e reconsiderando sua decisão em plena Inglaterra. Feola, desanimado e frágil, não sabia como escalar o time. Entre os veteranos, lá estavam Gilmar, Djalma Santos, Orlando, Belini, Zito e Garrincha, cujas pernas tortas já não eram tão magicas como quatro anos antes. A artrose que ele tinha no joelho há muito tempo não lhe permitia mais completar, com a mesma precisão, aqueles dribles pela direita. Feola pretendia utilizar Garrincha, ou melhor, a presença do Garrincha, como uma arma psicológica. Quanto aos novatos, Tostão e Alcindo, convocados para agradar Minas e Rio Grande do Sul, terminaram se impondo e garantindo seu passaporte para a Inglaterra.

O Brasil caiu num grupo reconhecidamente difícil. Estreou contra Bulgária e venceu por 2xO, com gols de Pelé e Garrincha, ambos na cobrança de faltas. Na seleção se refletia a desorganização de toda comissão técnica. Feola e Carlos Nascimento raramente chegavam a um acordo com relação a escalação do time. Nossos jogadores tinha problemas médicos, músculos cansados, minados, frouxos. Amarildo, vitima de uma distensão em Estocolmo, onde o Brasil fez dois amistosos, foi cortado antes de chegar a Inglaterra. O zagueiro Fidelis também estava machucado. Zito não tinha condições de entrar em campo. Pelé, com dores musculares, não enfrentou a Hungria. O resultado deste jogo foi um desastre total: Hungria 3x1. Para continuar na Copa, dependíamos de um bom resultado contra Portugal. Neste jogo, jogamos com uma seleção totalmente diferente e voltamos a perder por 3x1, dando adeus a Copa da Inglaterra. Os portugueses chegaram com tranquilidade a uma vitória sem nenhuma contestação. Para se ter ideia da desorganização da Brasil nesta Copa de 1966, basta dizer que, Vicente Feola, utilizou durante três jogos, vinte jogadores.

Para muitos o culpado tinha um nome: João Havelange, presidente da CBD, e já sonhando com a presidência da FIFA. Havelange desprezou a força de caráter de Paulo Machado, para ele próprio assumir a chefia da delegação brasileira que lutaria pelo tri campeonato. Tinha certeza do sucesso do Brasil. Queria capitalizar, sozinho, os lucros dessa conquista. No final das contas, restou-lhe a patética incumbência de se responsabilizar, publicamente, pela vergonha da eliminação prematura.

 

Próximo artigo: O lado da Copa que poucos conhecem - 1930


Última atualização: 24/09/13. Política de privacidade  |  Mapa do Site